Meus caros, acabei de chegar.
Acabei de chegar e antes de mais postar não pude evitar ler todos os vossos comentários! Muito bem... Folgo em ver que já mantêm diálogos independentes dos post que eu deixo. É a anarquia!!
O episódio contado por i35 era um dos que fazia parte da minha listinha mental, agora terei que ponderar a sua escrita (ficando o inominável com ainda menos protagonismo, ó grande desgraça!).
E parece que anda por aqui um comentador a querer sacar informações comprometedoras! Mas IF que é IF só compromete Cajó. Eu, pelo menos, foi o juramento que fiz! :p
11/10/07
fico em banho-maria
Sei que há alminhas sedentas de continuação para as histórias do Creoula. Só que entrei em estado de pânico ao perceber que tenho MESMO que acabar de escrever uma certa tese nas próximas semanas.
Amanhã vou-me evadir para parte quase incerta durante uns dias, a ver se me concentro. Como não terei direito a internet nem a televisão (resta saber se já há frigorífico!), estou confiante de que funcionará. Prometo tentar escrever qualquer coisinha mais interessante nos intervalos, mas não o posso garantir. I'm very sorry my friends...
Como diz a SemNexo, é o efeito corda-na-garganta a fazer-se sentir! :(((
Amanhã vou-me evadir para parte quase incerta durante uns dias, a ver se me concentro. Como não terei direito a internet nem a televisão (resta saber se já há frigorífico!), estou confiante de que funcionará. Prometo tentar escrever qualquer coisinha mais interessante nos intervalos, mas não o posso garantir. I'm very sorry my friends...
Como diz a SemNexo, é o efeito corda-na-garganta a fazer-se sentir! :(((
09/10/07
no céu espelhado - IV
A bordo de um navio, quem tem chocolate é rei. Os recursos são escassos e o mar é grande demais para se dar um saltinho à loja de conveniência quando a gula aperta. Portanto, o bom senso obriga a uma certa panelinha, apelando sem dúvida a atitudes mesquinhas e egoístas aquando do consumo do referido bem.
Certa noite, em amena reunião chocolateira (um euro por cada palavra inventada e já poderia pagar viagens no Creoula aos meus leitores mais fiéis), um vulto surpreende Rapariga-Sussurrante, Wonder-Sister e IC19. Esta última de imediato esconde o pacote de m&m’s atrás das costas, pendurando até a mão do lado de fora do barco, a ver se não dá cana. As três entreolham-se e o clima é tenso. O silêncio só não é cortado com os esperados “gri-gri-gri” porque, até prova em contrário, no mar não há grilos.
- Boa noite – diz a voz masculina – Então, vieram apanhar ar?
O comandante! Homem de conhecido faro e aspecto amigável materializava-se, de repente, na tentativa de levar consigo uma bolinha de chocolate e amendoim. Assim, sem mais nem menos! IC19 manteve firme a posição. Daria a vida para ocultar as preciosas guloseimas, andaria na prancha sobre tubarões famintos ou subiria à gávea se tal fosse necessário.
- Pois, viemos cá acima, está uma noite tão bonita... – decide responder a Wonder-Sister, mordendo a vontade de o despachar dali para fora. Não pode fazer mais nada. Há, apesar de tudo, uma questão hierárquica impeditiva. Reza então mentalmente à sua santa predilecta, a dos aflitinhos asmáticos (não perguntem porquê, cada um com a sua tara), para que as desenvencilhe de tamanho sufoco. Só que a Rapariga-Sussurrante, que afinal de contas se juntara à reunião um pouco mais tarde e não se apercebera de que havia somente TRÊS m&m’s para partilhar, folga um pouco a defesa e começa a dar trela à conversa do oficial. As outras duas vão ficando nervosas, principalmente IC19, cuja mão começa a tornar-se dormente devido à posição de pedra.
Eu, moi même, chego já a conversa vai no fim. Estranho. Sabia virem ao chocolate nocturno e não esperava encontrar o comandante inserido no grupo. Ainda com os olhos mal habituados ao escuro, procuro a côr amarela do pacote de m&m’s. Não a vejo em parte alguma... Dando largas ao meu próprio egoísmo (que o Don-Lerpas insiste ser do tamanho do mundo), desejo que o comandante não se tenha apercebido do motivo da reunião e fanado aquelas preciosas bolinhas coloridas.
Por fim o homem vai-se embora. Olho para elas que, acto contínuo, desatam a rir. IC19 ainda está nervosa:
- Ó Rapariga-Sussurrante pá, nunca mais acabavas de dar trela ao gajo!!...
Diga-se que, a partir dessa noite, a IC19 não voltou a ficar tranquila. O comandante, segundo a própria, perseguia-a constantemente. Queria os seus m&m’s! Escondido atrás dos dóris, pendurado num mastro, disfarçado de ajudante de cozinha ou, até, agachado atrás de uma moita, lá se encontrava o digníssimo. À coca...
Certa noite, em amena reunião chocolateira (um euro por cada palavra inventada e já poderia pagar viagens no Creoula aos meus leitores mais fiéis), um vulto surpreende Rapariga-Sussurrante, Wonder-Sister e IC19. Esta última de imediato esconde o pacote de m&m’s atrás das costas, pendurando até a mão do lado de fora do barco, a ver se não dá cana. As três entreolham-se e o clima é tenso. O silêncio só não é cortado com os esperados “gri-gri-gri” porque, até prova em contrário, no mar não há grilos.
- Boa noite – diz a voz masculina – Então, vieram apanhar ar?
O comandante! Homem de conhecido faro e aspecto amigável materializava-se, de repente, na tentativa de levar consigo uma bolinha de chocolate e amendoim. Assim, sem mais nem menos! IC19 manteve firme a posição. Daria a vida para ocultar as preciosas guloseimas, andaria na prancha sobre tubarões famintos ou subiria à gávea se tal fosse necessário.
- Pois, viemos cá acima, está uma noite tão bonita... – decide responder a Wonder-Sister, mordendo a vontade de o despachar dali para fora. Não pode fazer mais nada. Há, apesar de tudo, uma questão hierárquica impeditiva. Reza então mentalmente à sua santa predilecta, a dos aflitinhos asmáticos (não perguntem porquê, cada um com a sua tara), para que as desenvencilhe de tamanho sufoco. Só que a Rapariga-Sussurrante, que afinal de contas se juntara à reunião um pouco mais tarde e não se apercebera de que havia somente TRÊS m&m’s para partilhar, folga um pouco a defesa e começa a dar trela à conversa do oficial. As outras duas vão ficando nervosas, principalmente IC19, cuja mão começa a tornar-se dormente devido à posição de pedra.
Eu, moi même, chego já a conversa vai no fim. Estranho. Sabia virem ao chocolate nocturno e não esperava encontrar o comandante inserido no grupo. Ainda com os olhos mal habituados ao escuro, procuro a côr amarela do pacote de m&m’s. Não a vejo em parte alguma... Dando largas ao meu próprio egoísmo (que o Don-Lerpas insiste ser do tamanho do mundo), desejo que o comandante não se tenha apercebido do motivo da reunião e fanado aquelas preciosas bolinhas coloridas.
Por fim o homem vai-se embora. Olho para elas que, acto contínuo, desatam a rir. IC19 ainda está nervosa:
- Ó Rapariga-Sussurrante pá, nunca mais acabavas de dar trela ao gajo!!...
Diga-se que, a partir dessa noite, a IC19 não voltou a ficar tranquila. O comandante, segundo a própria, perseguia-a constantemente. Queria os seus m&m’s! Escondido atrás dos dóris, pendurado num mastro, disfarçado de ajudante de cozinha ou, até, agachado atrás de uma moita, lá se encontrava o digníssimo. À coca...
jantar fora
Oito e meia no Assuka para grande estreia de S. na comida japonesa! Pronto, e também porque a Ana Q came to town e sugeriu o encontro para matar algumas saudades que já vinham acumulando. Estávamos as duas, a ainise, o SemNome e a dream (eh lá, não é que já todos temos nomes blogueiros?!).
Gostei da miso, gostei de todos os rolinhos, gostei do peixe crú e até gostei do gengibre! Cozinha aprovadíssima e a repetir. Para além disso, calhou-me um copo de chá verde zen, que ditava mandamentos para levar uma vida mais saudável e feliz. Less anger, more laughter – less beer, more tea – less greed, more giving… Coisa mai linda! Alguém sabia que eu vinha aí e deu-se ao trabalho de preparar essa pequena graça, bem-hajam os japoneses.
Mas bonito, bonito foi o momento com que a ainise nos presenteou à saída. Senhores, é que existem caretas e caretas. Caretas e caretas! E a transfiguração que observei foi digna de nota. Diga o que disser a rapariga, suspeito que, lá no fundo, há um passinho evolutivo qualquer que lhe está em falta. Mas que não se preocupe, todos adoramos chimpanzés... :)))
Gostei da miso, gostei de todos os rolinhos, gostei do peixe crú e até gostei do gengibre! Cozinha aprovadíssima e a repetir. Para além disso, calhou-me um copo de chá verde zen, que ditava mandamentos para levar uma vida mais saudável e feliz. Less anger, more laughter – less beer, more tea – less greed, more giving… Coisa mai linda! Alguém sabia que eu vinha aí e deu-se ao trabalho de preparar essa pequena graça, bem-hajam os japoneses.
Mas bonito, bonito foi o momento com que a ainise nos presenteou à saída. Senhores, é que existem caretas e caretas. Caretas e caretas! E a transfiguração que observei foi digna de nota. Diga o que disser a rapariga, suspeito que, lá no fundo, há um passinho evolutivo qualquer que lhe está em falta. Mas que não se preocupe, todos adoramos chimpanzés... :)))
08/10/07
noddy
Outro dia fui para a minha ocupação nocturna habitual (não, não é essa, a outra!). Lá existe uma criatura que, sem ironia, considero particularmente adorável. Tem quase seis anos, um feitio lixado e, por acaso, tinha acabado de lhe cair o primeiro dente, o que foi engraçado mas não vem ao caso.
Às tantas no canal panda surge o Noddy, bonequinho com o qual me familiarizei há poucos anos, não sei se conhecem… O miúdo vem então disparado da cozinha, direito à televisão. Com os olhos fixos no écran senta-se ao meu lado e murmura “abram alas pró noddy, noddy!, cum guizo nos cornos a tocar”. Claro que, notando os meus olhos esbugalhados, se vira logo para mim em desafio e articula perfeitamente o que se segue:
“abram alas pró noddy, noddy!, cum guizo nos cornos a tocar
abram alas pró noddy, noddy!, já me tá a enervar
abram alas pró noddy, noddy!, a gente grita: viva!
o noddy foi pá cona da tia”
Tento não reagir para não lhe dar importância, mas ele não terminou: “cona é o pipi das miúdas” acrescenta secamente, quase maçado, como se me fizesse um favor na explicação. E pronto!
É surreal o andamento que as crianças têm.
Às tantas no canal panda surge o Noddy, bonequinho com o qual me familiarizei há poucos anos, não sei se conhecem… O miúdo vem então disparado da cozinha, direito à televisão. Com os olhos fixos no écran senta-se ao meu lado e murmura “abram alas pró noddy, noddy!, cum guizo nos cornos a tocar”. Claro que, notando os meus olhos esbugalhados, se vira logo para mim em desafio e articula perfeitamente o que se segue:“abram alas pró noddy, noddy!, cum guizo nos cornos a tocar
abram alas pró noddy, noddy!, já me tá a enervar
abram alas pró noddy, noddy!, a gente grita: viva!
o noddy foi pá cona da tia”
Tento não reagir para não lhe dar importância, mas ele não terminou: “cona é o pipi das miúdas” acrescenta secamente, quase maçado, como se me fizesse um favor na explicação. E pronto!
É surreal o andamento que as crianças têm.
no céu espelhado - III
Como muitos sabem, eu não como carne. Depois de vinte anos a revolver bolas secas de frango, de porco, de vitela, de pato, nas bochechas, decidi abandonar o hábito. E já não era sem tempo! O engraçado é que marujo que é marujo, marujo do mar, à séria, marujo que iça velas e respeita hierarquias, só gosta de carne. Parece que não é por estar no mar que se come peixe, a não ser que estritamente necessário. Mas, Deusa seja louvada, o facto de ter cinquenta civis a bordo é visto como tal necessidade e os pratos vão variando entre a carne e o peixe.
Assim, parte do ritual do dia-a-dia consistia em ir “lá acima” lembrar aos cozinheiros que, à hora da carne, dessem o jeitinho de não me pôr a engulipar bifinhos sangrentos. Já imaginaram coisa mais sem sentido do que comer bifes no mar? Eu não.
Agora bom bom, foi passar cinco dias a comer atum. Ui! Eu ainda atirava para o ar, assim à maluca “epá, façam-me qualquer coisa tipo uns ovinhos mexidos…” Mas eles, simplesmente, achavam que eu tinha cara de comedora de atum. É válido, sim senhor. Há quem tenha cara de cú, eu já me contento em passar por voraz abridora de latas e atunodependente. Ora vejamos, atum até é algo que aprecio. O problema é, sei lá, atum com batatas fritas! Vão por mim, não é um pitéu muito apetitoso, escusam de ir a correr experimentar em casa.
O marujo de serviço às refeições era o Charréu, alentejano mal-encarado que revirava os olhos mal eu aparecia com cara de “pede o meu atum, sff”. Refilava e suspirava, acho que fazia parte do número, mas era um gajo porreiro. No último dia, o fatídico em que me calhou lavar a loiça com o Cajó, até se apiedou de mim. “Fogo, não acredito que tenho aqui este gajo outra vez, tá bonito tá” foi a primeira exclamação que fez, assim que o viu chegar. E olhem que eu estava bem caladinha no meu canto! Claro que a observação bastou para que me ficasse uma memória muito positiva do senhor Charréu.
Quando havia vagar, lia-se um pouco no convés. Liam os outros camaradas (desculpa mãe, mas no mar diz-se assim, sou obrigada a manter a terminologia ainda que te possa provocar algum arrepio mais patológico), eu teimei em levar apenas artigos sobre a boa mesa dos passeriformes e nem uma vez tive cabeça para lhes lançar os olhos. Ah, mentira, também levei a Outdoor Photographer e até me entreteve uma tarde.
Notei que Don Lerpas era muito apreciador de sua leitura, volta não volta lá estava ele. Outros membros do grupo também se balançavam numa assimilação conjunta de cultura e, por vezes, desenvolviam-se agradáveis sessões de esparramanço ao sol a ler (ou a dormir). Os sacos-cama serviam de almofada, ideia original da Rapariga-Sussurrante que rapidamente se espalhou aos demais. Mais ou menos como a macaca Imo, quando aprendeu a atirar as batatas ao mar para lhes retirar a areia e logo os juvenis a começaram a imitar! As fêmeas são sempre desenrascadas. :)
Assim, parte do ritual do dia-a-dia consistia em ir “lá acima” lembrar aos cozinheiros que, à hora da carne, dessem o jeitinho de não me pôr a engulipar bifinhos sangrentos. Já imaginaram coisa mais sem sentido do que comer bifes no mar? Eu não.
Agora bom bom, foi passar cinco dias a comer atum. Ui! Eu ainda atirava para o ar, assim à maluca “epá, façam-me qualquer coisa tipo uns ovinhos mexidos…” Mas eles, simplesmente, achavam que eu tinha cara de comedora de atum. É válido, sim senhor. Há quem tenha cara de cú, eu já me contento em passar por voraz abridora de latas e atunodependente. Ora vejamos, atum até é algo que aprecio. O problema é, sei lá, atum com batatas fritas! Vão por mim, não é um pitéu muito apetitoso, escusam de ir a correr experimentar em casa.
O marujo de serviço às refeições era o Charréu, alentejano mal-encarado que revirava os olhos mal eu aparecia com cara de “pede o meu atum, sff”. Refilava e suspirava, acho que fazia parte do número, mas era um gajo porreiro. No último dia, o fatídico em que me calhou lavar a loiça com o Cajó, até se apiedou de mim. “Fogo, não acredito que tenho aqui este gajo outra vez, tá bonito tá” foi a primeira exclamação que fez, assim que o viu chegar. E olhem que eu estava bem caladinha no meu canto! Claro que a observação bastou para que me ficasse uma memória muito positiva do senhor Charréu.
Quando havia vagar, lia-se um pouco no convés. Liam os outros camaradas (desculpa mãe, mas no mar diz-se assim, sou obrigada a manter a terminologia ainda que te possa provocar algum arrepio mais patológico), eu teimei em levar apenas artigos sobre a boa mesa dos passeriformes e nem uma vez tive cabeça para lhes lançar os olhos. Ah, mentira, também levei a Outdoor Photographer e até me entreteve uma tarde.
Notei que Don Lerpas era muito apreciador de sua leitura, volta não volta lá estava ele. Outros membros do grupo também se balançavam numa assimilação conjunta de cultura e, por vezes, desenvolviam-se agradáveis sessões de esparramanço ao sol a ler (ou a dormir). Os sacos-cama serviam de almofada, ideia original da Rapariga-Sussurrante que rapidamente se espalhou aos demais. Mais ou menos como a macaca Imo, quando aprendeu a atirar as batatas ao mar para lhes retirar a areia e logo os juvenis a começaram a imitar! As fêmeas são sempre desenrascadas. :)
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