05/07/07

let's come together and uncensured

Na mesma semana em que a M. (sim, ele há toda uma família catita de iniciais debaixo deste tecto) decidiu associar ao seu novo super-hiper-mega-ri-telemóvel as músicas do Kusturica e do Yann Tiersen, descubro que a europa anda a querer apostar no seu cinema. Olaré bébé!

Vejam lá o video-promoção:

(mac: não te esqueças, carrega no "play" e depois no "pause" até à barra encarnada estar toda preenchida, para veres o filme contínuo)

03/07/07

um pequeno deslize

Ora bem, domingo folgazedo e o que se faz? A vontade é de bezerrar à grande (como, aliás, sucede em qualquer outra altura), mas dado que é dia do senhor e tudo, vamos lá apanhar sol na mioleira e ver se produzimos alguma serotonina para espevitar. O que fazer, o que fazer?...

Praia ao domingo nem pensar, que a recordação da Fonte da Telha com todo o seu aparato almoçadeiro de tachos, toalhas e garrafões de cinco litros, animados – como se não bastasse! – pelo pequeno Saúl a gritar “o bacalhau quer alho” em todos os rádios transportados para o areal com intuito assassino, deixaram marcas profundas nesta alma ingénua. Além disso o fantasma da tese mantém-se incansável na assombração aqui da je e, portanto, nada de ir muito longe. Vá-se lá saber, pode o computador sentir falta de atenção e declarar negligência quando a oportunidade surgir (lá para Outubro, segundo consta).

Comer um gelado à Praça de Londres? Talvez, talvez... Mas e as (também assassinas) calorias?? Logo agora que decidiu o governo pôr um término na síndrome crónica de depressão pós-calórica? Não, não, nem pensar.

Conclusão evidente e pejada de ponderação: ande-se de patins no Campo Grande!

Andar de patins no Campo Grande... Andar de patins no Campo Grande... (a ler com um suspiro, por favor). Nesta altura alguém pensará “eu não sabia que ela patinava”. Pois. E não sabia muito bem, porque ela, de facto, não patina. E mais: não só não patina, como consegue ser exímia na arte do ridículo!

A acompanhar esta não-patinadora que vos fala encontrava-se, dentro do ringue, uma meia dúzia de criaturinhas minúsculas de patins da Floribella nos pés. Trapalhonas sim, de perninhas de alfinete sim, mas eléctricas de energia. Zum, zum, zum... sempre a passar, sempre com seis anos, sempre sem dentes da frente, sempre canejas e de sorriso rasgado. E a não-patinadora iludida no seu equilíbrio imaginário, numa de “eu tenho muito mais controle muscular que vocês”, decidiu entrar a matar e deu três valentes passos de balanço para deslizar suavemente até ao corrimão. Primeiro metro tudo bem, segundo metro um pouco menos bem, terceiro metro e já o corpo insistia em balançar para trás e, ao quarto metro, por fim, o estatelanço. Foge-lhe o patim para a frente, lê-se-lhe o terror nos olhos, cogela-se-lhe o corpo no ar enquanto pensa “ai mãezinha que é desta” e, em tais preparos, despenca no meio do chão com um bate-cú digno de nota. O chão? Duríssimo.

Estando um senhor observando do lado de fora, apoiado no corrimão, mesmo junto à não-patinadora, esta obrigou-se a sentar rapidamente e evidenciou, como quem não quer a coisa, a mobilidade das pernas (há sempre aquela personagem que tecla o 112 no telemóvel). Depois fingiu-se preocupada com o leitor de mp3 para não ter que encarar a audiência muda. Oh, que maçada, não liga! Terá avariado? Mas que chatice! (enquanto a dor ia martelando e ela disfarçava os gemidos para se levantar).

Como eles dizem sempre nos filmes que quem cai do cavalo tem que montar outra vez (e os ensinamentos da televisão são sagrados!), lá me pus às voltas ao ringue, mas desta vez a passo. Volta, atrás de volta, atrás de volta e sentia-me cada vez mais com seis anos, invejando já os patins da Floribella. O único senão era o medo de ficar, tal como as criaturas, sem os dentes da frente - medo perfeitamente fundamentado, como se viu.

Bem, hoje é o dia seguinte e agradeço ao senhor a invenção dos brufenes. De qualquer maneira, quando for grande quero ser patinadora no ringue do Campo Grande. É só conseguir mexer-me outra vez e vão ver...

28/06/07

o orgulho de alguns

À mesa do jantar, em Mangualde, com os meus avós.
- Oh, que pena, é hoje a marcha do orgulho gay e eu não posso ir...
Levantam a cabeça em simultâneo, ele solta uma gargalhada daquelas que são de sopro - vêm do pulmão, rebolam na garganta e acabam por sair pelo nariz, não sei bem como.
- Olha que ponto! Então tu querias ir lá? Palavra?
Leio-lhes a curiosidade nos olhos. Um pouco de incredulidade também.
- Sim, todos os anos quero ir mas acabo por deixar passar o dia sem querer – respondo, enquanto me sirvo de salada e finjo a inocência da provocação. Ela é menos controlada no comentário:
- Filha, mas assim podias ser confundida! Há-que ter cautela.
Eu rio-me. Mesmo estando à espera, divertem-me sempre estas sinceridades.
- Pois é – digo – e depois corria o risco de ser atacada por uma tresloucada qualquer, não era? Aquela gente é perigosa!
Ela entende o meu gozo, que não é parva nem tão surda assim.
- Bem... Não é isso... (gagueja um pouco como lhe é típico nestas situações)
Ele encontra espaço para a sua piada:
- É que aquilo pega-se, é contagioso. Uma pessoa não pode ir para lá misturar-se que sai virada – e ri-se. Rimo-nos todos.

A conversa estende-se pelo mal que acham fazer-se uma marcha pelo orgulho gay, como achariam de qualquer outra marcha de orgulho. Não chego a perceber porquê. Mas convenço-os (ou penso que os convenço) de que tem validade pedir direitos iguais. É que, felizmente, o mundo já não é aquele em que o filho da senhora não-sei-quantas, que era um homem tão gentil e sensível, se suicidou porque o “grande amigo” o deixou para se casar com uma mulher.

Pois não... Hoje conheço resmas de não-homofóbicos. Pessoas que “não se escandalizam nada com os homossexuais, desde que estes não sejam bichonas nem se manifestem em público”. Ou seja, tudo bem que se assumam e vivam juntos, mas que não me apareçam à frente de mãos dadas e muito menos arrisquem um beijinho, que isso é um nojo e eu não tenho que ver! Tudo vai bem com conta, peso e medida, condicionadinho como se quer. Caso contrário faço-te cara feia e grunho-te um despautério. Ou volto indignadíssimo para casa.

A liberdade é mais ou menos isto, não é?

16/06/07

Eh sábado tristonho sem fim!

Nestes dias o tempo passa de maneira estranha. Uma pessoa levanta-se tarde da cama e arrasta-se até ao sofá para continuar com a lazeira. Liga a televisão e regala o olho com as séries da Fox (os gajos hiper bons e as gajas hiper magras) e pensa “hmmm, diz que tenho uma tese para escrever”.

Chove tanto! Os manjericos afogam-se nas varandas e as sardinhas de cartão vão-se desfazendo em papa. Não bate certo com a época festiva a que o meu cérebro está acostumado. Onde estão os chinelos, as peles ligeiramente bronzeadas e o cheiro a quente no ar? Porque nos é negada a leveza destes dias? “hmmm, para que possas escrever a tese sem sentir o bichinho da inveja a corroer?” Good point. Que série dará a seguir ao Dr. House?

14/06/07

o que ficou da noite de Sto António

"A minha palmeira é muito porreira, eu sei
Mas no meu deserto, tu foste o oásis que achei
Tu ficas tontinha quando tiro a casca à banana
Ficas tão doidinha que a tua cauda abana"

Um grande bem-haja ao artista José Cid pelos momentos de sublimação musical.

06/06/07

daquilo que não se diz

Em tudo o que fazemos há aquilo que fica por dizer. Um bom dia de que se desiste à última da hora, mesmo ao cruzar alguém vagamente familiar na rua, um pensamento crú demais para que o seu verbo não doa, uma chamada de atenção deixada passar incólume ao amigo distraído, uma confissão enrascada que se evita, ou aquela palavra de conforto que simplesmente falha, à velhota que procura, de olhos perdidos, uma farmácia aberta.

Não é preciso ser-se iluminado para perceber que se cala muito mais do que se diz. As palavras são apenas a ponta do icebergue que erguemos para o mundo e através da qual esperamos que ele nos entenda. O silêncio, se calhar, é mais expressivo. É que pelo menos esse é nosso.

24/05/07

proposta decente

Ultimamente ando com pouco tempo para blogar e lembrei-me de apelar à vossa imaginação (maneira mais ou menos subtil de me descartar da escrita propriamente dita!). Quem me faz o gostinho de continuar?

"Entrei no café pouco convencida quanto aos motivos que me levavam ali. Por segundos ainda me detive junto à porta com a mão firme na maçaneta, ponderando dar meia volta e sair de fininho. Queria desesperadamente evitar as consequências do que me propunha fazer. Mas a verdade é que precisava também desesperadamente de o fazer..."